Atena

            Como você já deve ter observado, a imagem de fundo deste blog é o Partenon que foi erguido em homenagem à Atena. Então, nada mais justo do que o primeiro post sobre mitologia ser justamente sobre ela.

            Pois bem, Atena é a deusa grega da sabedoria, da estratégia de guerra, da justiça, além de ser a padroeira das artes úteis e ornamentais. Uma diferença dela para sua semelhante romana, Minerva, é que esta não é relacionada a guerra (papel ocupado por, entre outros, Belona, deusa romana da guerra). Ela pode ser chamada também de Atená, ou de Palas Atena; “palas” significa “donzela”, referência ao fato de ela ser uma deusa virgem. Inclusive “Partenon” vem do grego “parthenos” que significa “virgem”, mais uma referência sua divina virgindade (na mitologia grega há outras deusas virgens como Ártemis, deusa da caça e da Lua, e Héstia, deusa do lar).

            Seu nascimento é bastante curioso (para dizer o mínimo). Ela nasceu da cabeça de seu pai, Zeus, vestida de armadura completa, após ele engolir sua mãe gravida, Métis. Há duas versões sobre o motivo pelo qual ele o fez: uma diz que ele visava adquirir conhecimentos intelectual e judicial (Métis é um aspecto da sabedoria); outra diz que ele temia a profecia de Gaia de que se ele tivesse um filho homem, este o derrubaria. De qualquer maneira, Atena se tornou sua mais fiel e importante aliada no Olimpo.

            Atena teve uma cidade nomeada em sua homenagem, Atenas. Na mitologia, é relatado que ela e Poseidon, deus dos mares, disputaram essa honraria. A disputa consistia em avaliar qual deles daria o presente mais útil. Poseidon deu um cavalo (outras fontes dizem que ele fez uma fonte na cidade jorrar água do mar) e Atena, uma oliveira (sua planta sagrada). Os doze deuses que presidiam a decisão decretaram que Atena venceu a disputa. Em algumas versões, Poseidon, furioso com a derrota, inundou a cidade com uma grande onda.

            Atena é ainda conhecida por ser uma grande aliada dos heróis, prestando-lhes auxílio quando precisam. Por exemplo, quando Perseu, filho de Zeus, foi encabeçado da missão de matar a Medusa, Atena lhe ofereceu seu escudo de bronze. Escudo este que Perseu usou para decapitar a criatura sem olhá-la diretamente, usando o reflexo dela, no escudo.

Medusa, resultado da fúria de Atena
Difícil falar de Medusa e não lembrar de Caravaggio

            No entanto, nem tudo são flores na história de Atena, sendo que a própria Medusa foi consequência da ira da deusa. O mito diz que a Medusa já foi uma bela mulher, mas, em uma das versões, ousou competir em beleza com a deusa. Outra versão diz que ela era uma bela sacerdotisa de Atena que teve a brilhante ideia de ter relações com Poseidon (rival de Atena) dentro do templo da deusa. Independente do motivo, Atena a transformou numa criatura horrenda com cabelos de cobra a qual nenhum mortal poderia olhar diretamente sem que fosse transformado em pedra.

            Outro exemplo da ira de Atena é a história de Aracne. Esta era uma talentosa tecelã, mas seu talento a deixou arrogante e ela começou a desafiar e menosprezar Atena, que também era uma tecelã. Obviamente isso não agradou à deusa que, primeiramente, desceu do Olimpo sob o disfarce de uma velha para aconselhar Aracne a não desafiar os deuses. Ela disse ainda que se ela pedisse desculpas, a deusa (no caso, ela mesma) poderia lhe perdoar. Mas Aracne se recusou e ainda reiterou o desafio, diante de tal afronta, Atena se revelou e aceitou o desafio. As duas então começaram a tecer suas peças. Atena teceu em sua peça sua disputa com Poseidon, e também os doze deuses do panteão. Ela teceu ao redor dessa imagem, exemplos de mortais que desafiaram os deuses e o fim trágico que tiveram (uma indireta bem direta, né?). Já Aracne teceu sobre os erros dos deuses, como as histórias de Leda, de Dânae, e de Europa (todas por culpa de Zeus). Insultada por mais essa afronta Atena então destruiu o tecido com sua lançadeira, e, tocando a testa dela, a fez sentir culpa e vergonha de tal maneira que ela cometeu suicídio (se enforcando). Com “pena” dela, Atena a ressuscitou e a transformou em uma monstruosa aranha (realmente, muita piedade).

Aracne, a mortal que ousou desafiar Atena
Aracne (antes de virar aranha)

            Bem, essa é Atena. Grandiosa e virtuosa como deusa da sabedoria, sendo uma das entidades mais cultuados da Grécia Antiga. Mas, assim como os outros deuses do panteão grego, é capaz de infligir a mais cruel das punições se provocada.


Créditos pelas imagens:

Alexandre Souza

Alexandre Souza é um escritor brasileiro que escreve historias sombrias e sobrenaturais, e também explora fantasia e ficção histórica. Ele está adquirindo um Bacharelado em Belas-Artes em Escrita Criativa na Full Sail University. Ele têm contos publicados na Adelaide Magazine e na Scarlet Leaf Review. Ele é um apaixonado por mitologia e pelo sobrenatural, e usa isso para aprimorar seu trabalho.

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