Fogo de Caim

            É meia-noite nesta velha cidade do interior, o luar refletindo nas poças de uma chuva recente e uma brisa fria desafiando qualquer um que seja estúpido ou corajoso o suficiente para andar na rua a essa hora. É isso que Caim está fazendo, indo na direção da casa do vizinho, Sr. Martinez, seus passos pesados ecoando na rua silenciosa.

            “Basta!” ele exclamou.

            Ele é um veterano de guerra que tem mais de 40 anos e está tentando viver uma vida calma em uma cidade do interior, longe de todos os pesadelos que viveu na guerra. Ele viu muitas pessoas morrerem, algumas ele mesmo matou, mas o pior foi a morte de seu amigo de infância, pego em uma explosão e morto em agonia. Depois que ele voltou para casa, ele foi diagnosticado com estresse pós-traumático. Mas ele sempre se recusou a fazer terapia e decidiu lidar com isso à sua maneira.

            “Eu disse ao xerife que ele estava tramando algo. Mas ele disse que eu estava sendo paranoico. E até se atreveu a perguntar se eu estava tomando minhas pílulas regularmente! Eu não sou louco!”

            Ele finalmente chega à porta, com um chute a derruba e entra na casa. No entanto, ele não encontra ninguém. Ele investiga a casa, tentando encontrar algum sinal do paradeiro de Martinez. Ele atravessa a sala de estar decorada com um velho sofá roxo e algumas fotos bregas na parede e sobre uma mesa de centro de madeira. Então, ele atravessa um corredor que leva à garagem, cozinha e escadas. Na cozinha, ele encontra quatro garrafas de vodka em cima da mesa, o que o lembra da garrafa de uísque que ele acabou de beber. Ele ouve um barulho vindo de baixo. Escondido no porão, hein. Covarde.

            Ele desce para o porão, um lugar escuro e bagunçado, cheio de animais empalhados de todos os tipos. Então, ele encontra o Sr. Martinez e sua família, uma esposa e um filho, escondidos atrás de um urso. Ele joga o urso de lado e confronta seu vizinho.

            “Finalmente te encontrei, desgraçado!” Caim começa.

            “Por favor, acalme-se”, responde Martinez.

            “Acalme-se?! Você está me espionando! Eu ouço barulhos ao redor da minha casa e vejo sombras nas minhas janelas. E hoje à noite, quando olhei pela janela, vi você pulando a cerca!”

            “Não sei do que você está falando, mas não vamos mais incomodá-lo. Deixe-nos em paz, por favor.”

            Caim olha para o garoto assustado atrás do pai. “Como você está, garoto? Assustado?” ele diz sorrindo.

            “Fique longe dele!” Martinez grita, empurrando Caim para trás e fazendo-o cair de bunda.

            “Você está morto!” ele diz enquanto se levanta.

            Ele vai na direção de Martinez, pronto para dar um soco na cara dele. Mas, de repente, o Sr. Martinez muda de forma e se torna um monstro feio, um metamorfo com pele marrom peluda, grandes garras e dentes, uma altura humana média e um rosto assustadoramente humano. Antes que Caim possa reagir, a criatura pula sobre ele e eles rolam no chão, atacando um ao outro. Então Caim a atinge na barriga com um joelho e depois a acerta um soco na cara, a tirando de cima dele. Ele se levanta e puxa a pistola, escondida nas costas, atirando rapidamente na criatura. Mas por causa do álcool e do medo, ele acerta apenas 3 vezes, na perna, na barriga e no ombro. Ele joga a pistola no rosto da criatura e sai correndo, tentando pensar em um plano. A vodka!

            Ele corre para a cozinha e, com pedaços de sua camisa e vodkas, prepara 4 coquetéis molotov. Então ele espera a criatura, ouvindo seus passos se aproximando. Então, a criatura aparece.

            “Venha me pegar, aberração!” ele diz, acendendo os coquetéis.

            Ele joga o primeiro, mas a criatura se esquiva e o coquetel atinge o chão no corredor atrás dele. Ele joga o segundo e erra novamente. A criatura se aproxima e Caim joga a terceira, mas a criatura a intercepta com uma cadeira.

            “Não vou errar dessa vez!” ele grita, jogando o último coquetel. Ele passa a centímetros da cabeça da criatura e atinge a parede atrás dela, o fogo se espalhando rapidamente pela madeira antiga da casa. A criatura pula sobre ele, jogando os dois pela porta dos fundos, ela cai sobre ele e o segura firmemente. A criatura se prepara para acabar com ele quando de repente ocorre uma explosão na casa. O fogo atingiu o botijão de gás ao lado do fogão. A casa inteira treme, e eles podem ver o fogo se espalhando ainda mais rápido, já alcançando o primeiro andar.

            Isso distrai a criatura e dá a Caim a oportunidade de alcançar uma faca escondida em sua bota direita, e quando a criatura pula nele novamente, ele corta sua garganta profundamente. A criatura cai com um olhar chocado no rosto, o sangue escorrendo da garganta, e finalmente morre. Caim cai exausto.

            Alguns minutos depois, ele ouve sirenes. A polícia chegou. Já estava na hora. O xerife e quatro outros policiais com armas nas mãos encontram Caim e o corpo de seu nêmeses. No entanto, depois de olhar rapidamente para a situação, eles apontam suas armas para Caim.

            “Fique onde está! Você está preso!” o delegado diz.

            “Preso?! Acabei de matar um monstro!” Caim responde em choque, mas quando ele olha para onde está o corpo da criatura, percebe que é um corpo humano, o de Martinez. “Foi um metamorfo! Deve ter voltado à forma humana antes de morrer!

            “Cale a boca! Jogue fora sua faca e não resista.”

            “Eu posso provar! Basta olhar para dentro de casa! No porão!” mas no momento em que ele diz isso, a casa colapsa, e o fogo consome tudo.

            “Basta! Leve-o para a viatura!” o delegado diz a um policial ao lado dele.

            “Mas…”

            “Cale a boca, aberração!” o delegado interrompe. “Guarde suas explicações para o juiz!”

            Caim desiste quando percebe que ninguém acredita nele. E agora, até ele duvida de si mesmo.


Imagem de: https://pixabay.com/pt/photos/fogo-casa-em-chamas-flama-2946038/

História publicada primeiramente na The Scarlet Leaf Reaview: https://www.scarletleafreview.com/short-stories8/category/alexandre-souza

Alexandre Souza

Alexandre Souza é um escritor brasileiro que escreve historias sombrias e sobrenaturais, e também explora fantasia e ficção histórica. Ele está adquirindo um Bacharelado em Belas-Artes em Escrita Criativa na Full Sail University. Ele têm contos publicados na Adelaide Magazine e na Scarlet Leaf Review. Ele é um apaixonado por mitologia e pelo sobrenatural, e usa isso para aprimorar seu trabalho.

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