O Preço

O Sol se esconde atrás de nuvens escuras, sem sinal de chuva. Um clima deprimente. Com o clima na cabeça entro no quarto de Lady Puissant. O quarto tem duas camas cobertas com lençóis roxos. As camas são separadas por uma mesa de cabeceira com um telefone antigo. Na porta do banheiro, há um espelho alto com uma moldura de ferro dourada.

Paro na frente do espelho e olho para o meu reflexo. O tempo não me deixou mais bonito. Uma grande cicatriz acima e abaixo do olho direito se destaca no meu rosto. Alguns fios grisalhos, entre os pretos, nos meus cabelos e barba me informam da minha idade. E estou usando minhas roupas habituais, um terno cinza com uma gravata azul escura e luvas azuis escuras que escondem minhas cicatrizes.

Vou ao terraço, onde Lady Puissant e um homem de terno preto estão esperando, sentados a uma mesa de ferro. “Desculpe pelo atraso, minha senhora”, digo a minha chefe.

“Não se preocupe, Azael. Eu sei o quanto você está ocupado hoje em dia” ela responde. “Sente-se.”

Enquanto me sento, olho para o convidado e noto o anel de prata na mão direita, com o símbolo do Clã Edwards.

“Você deve ser o emissário de Sir Edwards”, digo a ele.

“Tão perspicaz, não é?” ele responde. “Sou Donovan, mão direita de Sir Edwards.”

Eu suspiro.

“E vocês dois sabem por que estou aqui”, continua ele.

“A guerra …” Lady Puissant diz. “Precisamos acabar com isso ou os dois clãs entrarão em colapso.”

“Meu chefe concorda com você. Ou pelo menos ele concordava.”

“E por que ele mudou de ideia?”

“Porque o filho dele foi morto pelo seu clã.”

O silêncio faz com que o ar se torne mais denso. Lady Puissant olha para mim.

“Como isso aconteceu?” eu respondo.

“Lembra do navio que você destruiu na semana passada? Ele estava lá.”

“Nós não sabíamos. Nunca machucaríamos o filho dele,” diz Lady Puissant.

“É tarde demais para isso. Agora ele quer sangue. Se você me der licença, tenho uma guerra para planejar,” diz ele, levantando-se.

“Espere!” eu digo. “Eu posso ter uma solução.”

“Uma solução? Que tipo de solução seria?”

“Compensação.”

“Explique.”

“Como você deve saber, a filha da minha senhora acabou de dar à luz um menino”, digo, percebendo o olhar surpreso no rosto da minha senhora.

“Sim, eu estou ciente. O que você está sugerindo?”

“Uma tradição antiga. Uma vida pela outra.”

“Qual o significado disso, Azael?!” Lady Puissant diz.

“Minha senhora, me desculpe. Mas esta é a única maneira de parar esta guerra e poder proteger seus objetivos. Se esse conflito com sir Edwards se tornar público, tudo estará perdido, incluindo sua reputação. Uma guerra civil não trará benefício algum, só destruição e morte.”

Ela olha para mim, com as mãos trêmulas e os olhos cheios de lágrimas. Então ela colocou as mãos no rosto e respirou fundo. “Você está certo, Azael. Esse é o preço que devo pagar para manter o meu poder e o do clã.”

“Então, Donovan? Nós temos um acordo?” eu digo, virando-me para ele.

“Sim nós temos. Mas apenas com uma condição, a criança deve ser morta por mim. Isso é justo, certo? “

“É sim. Eu pessoalmente entregarei a criança para você.”

“Tudo bem. Foi um prazer fazer um acordo com você.” ele diz com um sorriso, saindo da sala.

“O que eu fiz?! Eu condenei meu neto à morte!” Lady Puissant diz depois que Donovan sai.

“Não, você não o fez.”

“Mas você fez um acordo com eles. Eles vão matar o meu menino.”

“Eles acreditam que seja esse o caso, mas não será verdade.”

“Do que você está falando?”

“Você sabe, minha senhora, os bebês são todos semelhantes. Então, eles não perceberão se dermos o filho da empregada.”

“Você é um gênio, Azael”, diz ela, sorrindo. “E como você espera convencer a empregada?”

“Pagando ou matando ela. Eu não me importo.”

“E como você vai explicar minha filha com outra criança?”

“Adoção.”

Ela ri e diz, “Por isso escolhi você como meu conselheiro”.

“Obrigado, minha senhora. Se você me der licença, vou começar os preparativos.”

Eu saio do terraço. Paro na porta do quarto e pergunto a ela: “O que você quer que eu faça com a empregada?”

“Mate ela.”

“Como desejar, minha senhora.”

Então, saio da sala e vou para o quarto da empregada. Ela está sentada na cama com o filho nos braços. Paro na frente dela e com um sorriso digo: “Posso segurá-lo, querida?”

“Com certeza, senhor. Com cuidado.” ela responde.

Então, tiro uma pistola das minhas costas e digo, “Aqui está o seu preço, querida”. Então eu puxo o gatilho, o sangue espalha-se por toda a cama dela e um pouco cai sobre o bebê que chora. “Shhh. Calma, pequeno. Em breve você estará junto com sua mãe novamente.”


Imagem:

Alexandre Souza

Alexandre Souza é um escritor brasileiro que escreve historias sombrias e sobrenaturais, e também explora fantasia e ficção histórica. Ele está adquirindo um Bacharelado em Belas-Artes em Escrita Criativa na Full Sail University. Ele têm contos publicados na Adelaide Magazine e na Scarlet Leaf Review. Ele é um apaixonado por mitologia e pelo sobrenatural, e usa isso para aprimorar seu trabalho.

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