Trocas de Curso

            Bem, como havia prometido no post “Depressão” a minha peregrinação em busca do curso certo, e aproveitarei para tecer minhas opiniões sobre o assunto. Para começar vou contar minha história pessoal de mudanças de curso. Pois bem, o primeiro curso em que ingressei foi o de Medicina na FPS (Faculdade Pernambucana de Saúde) em 2017. A escolha parecia óbvia, pois era o que eu queria fazer desde criança então não tive muita dúvida em relação a isso. Eu sempre me idealizei sendo médico e atuando na área, o que obviamente gerou bastante expectativa de familiares e amigos. No entanto, ao começar a cursar Medicina percebi logo de cara que não era isso que eu queria para minha vida. Não mais conseguia me imaginar atuando em hospitais e afins, e não tinha a menor motivação de sequer sair de casa para ir à faculdade. Então após alguns meses (creio que 3 ou 4) que pareceram anos, decidi largar o curso.

            Após isso entrei num limbo terrível. Não fazia ideia do que iria ou queria fazer, afinal de contas meu sonho de criança claramente não condizia com a realidade. Só fui entrar em outro curso no ano seguinte. Nesse período cogitei inúmeros cursos como, Psicologia, Ciência da Computação, História, Cinema, entre outros. Por fim optei por Cinema, pois já percebia naquele período que gostava de criar. Passei no ENEM e me matriculei em Cinema na UFPE, no 1 semestre de 2018. Mas nunca cheguei a cursar. Minhas incertezas e inseguranças somadas a pressão familiar me fizeram desistir da ideia. Voltamos pro limbo.

            Meus pais então me sugeriram tentar Direito, pois este combinava comigo e minha personalidade, incluindo o fato de amar ler. Decidi por aceitar a sugestão e no 2 semestre daquele mesmo ano ingressei na UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco). Ao contrário do que aconteceu com Medicina, não rejeitei o curso de primeira, mas, na verdade, gostei um pouco dele. Tanto que terminei o 1 período, coisa que não fiz com Medicina. Mas isso durou pouco, e no 2 período percebi que aquilo também não era o que eu queria e decidi trancar mais esse curso.

            Só que sai de Direito sabendo exatamente o que eu queria, um curso na área de criação e entretenimento. Meus pais então sugeriram que desse ao menos uma olhada em faculdades americanas. Eu o fiz, mas sem botar muita fé de que conseguiria ser aceito em uma. Foi pesquisando curso em sites de faculdades americanas que descobri a Full Sail University, minha atual faculdade que fica em Orlando. Procurei algo relacionado a criação e entretenimento, e no primeiro momento me interessei pelo curso de animação, Computer Animation. E foi nele que me inscrevi.

            Fiz o Toefl (exame de proficiência em inglês) e mandei toda a documentação para a faculdade, e para minha surpresa fui aprovado. Me mudei então para Orlando em julho de 2019, já que no mês seguinte começariam minhas aulas. Mas no primeiro mês tive contato com outro curso que tinha me passado despercebido no site, o curso de Creative Writing. Este seria um curso de escrita e roteiro, cuja tradução seria “Escrita Criativa”. Soube imediatamente que era ele o curso ideal e pedi para a faculdade me trocar de curso, o que foi feito sem muitos problemas. E foi nesse curso que eu finalmente me encontrei, e que me mostrou o que quero seguir como profissão, escritor e roteirista. Estou muito feliz com meu curso e me formo em setembro de 2021.

            Pronto, agora que contei minha trajetória em busca do curso certo, vou falar um pouco o que penso sobre o assunto. Primeiro, estar “perdido” é completamente normal e quase todo mundo passa por isso em algum momento. Atendo-me especificamente ao tema deste post, creio que seja natural algumas pessoas não terem certeza que curso fazer. Até porque não é uma decisão tão simples, você precisa simplesmente decidir aquilo que você vai fazer para o resto da vida. Uma responsabilidade que a sociedade coloca em ombros muito jovens, sem a maturidade e o autoconhecimento necessários para tomar essa decisão (estes vêm com o tempo e a experiência). E ainda por cima a sociedade demanda que tal decisão seja tomada rapidamente, pois “tempo é dinheiro”. Não consigo concordar com isso, não me parece justo nem efetivo, cobrar jovens de 20 anos ou menos que tomem essa decisão.

            Outra coisa, na escola você não entra em contato real com as profissões. Não há um trabalho nesse sentido, de colocar o aluno para conhecer de verdade as diversas profissões que existem e como que é atuar em cada área. As escolas só se preocupam com uma coisa, vestibular. Só querem aprovar o maior número possível de alunos no ENEM e afins, independente se o aluno está entrando no curso certo ou não. Não vejo mais as escolas preocupadas em formar cidadãos preparados para encarar a vida adulta, só pensam em números. E se o aluno estiver indeciso ou perdido, ela mais atrapalha do que ajuda. Além disso, os conteúdos que vice gosta na escola não necessariamente refletem o que você com o que você quer trabalhar. Por exemplo, eu gostava bastante de Biologia e não durei um período em Medicina. Por isso que acredito ser importante as escolas abordarem as profissões de maneira mais profunda e as apresentar de maneira efetiva aos alunos. Assim eles podem tomar uma decisão mais bem embasada.

            Outo aspecto importante é a famosa discussão entre fazer o que gosta e fazer o que teoricamente dá dinheiro. Para mim a primeira opção é sempre melhor, e digo isso mesmo sendo bastante realista. A questão é do que adianta ter uma condição financeira legal, se você trabalha com algo que não gosta e é infeliz por isso. Não vejo muito sentido, mas entendo quem opte por esse caminho. Afinal de contas, infelizmente, nem todos tem o privilégio de poder escolher. Se você tem essa possibilidade, recomendo fortemente que vá na primeira opção. Dê sempre preferência a sua felicidade e autossatisfação sobre o ganho financeiro. Ter dinheiro é excelente, mas não é garantia de felicidade.

            Um detalhe importante a se atentar é saber diferenciar hobby de carreira. Hobby, ou passatempo, é uma atividade realizada com o objetivo de se entreter e distrair. Já carreira é a opção profissional escolhida com a qual a pessoa irá trabalhar pelo resto de sua vida. Faço esses parênteses porque quando digo que se deve trabalhar com o que gosta, alguns vão associar isso aos seus hobbies. Pode ser que dê certo, óbvio. Mas pode ser também que isso não tenha a ver com o que você gostaria de trabalhar. Por exemplo, gostar de jogar videogame é completamente diferente de trabalhar na criação de um. Enfim, o hobby pode ser um bom norte, mas deve-se atentar a diferença entre fazer algo por diversão e trabalhar com esse algo.

            Uma coisa que quero ressaltar para você que está perdido nesse momento é que não se desespere. Pois, eventualmente você irá se encontrar, pode até demorar, mas vai acontecer. Entendo a preocupação com o tempo, mas certas coisas demoram um pouco mais para acontecer. Comigo, foram necessários 4 anos e 3 cursos, com você pode ser mais demorado ou mais rápido, não tem como saber.  Até porque cada pessoa tem seu ritmo, tem seu tempo, e deve-se respeitar isso. Então não se desespere e fique tranquilo que você vai se encontrar no seu tempo.

            Na minha opinião não existe outro método a não ser o de tentativa e erro, afinal a única maneira de se ter certeza sobre determinada opção é tentando. O importante para mim, é nunca desistir, nunca parar de tentar. Se você esperar pela resposta vir dos céus trancado no seu quarto, ela nunca virá. É necessário que você ativamente busque por ela, aí sim você irá encontrá-la.


Fonte da Imagem: https://miro.medium.com/max/3840/1*-S1O8hP51WpTGaHtnpum4A.jpeg

Alexandre Souza

Alexandre Souza é um escritor brasileiro que escreve historias sombrias e sobrenaturais, e também explora fantasia e ficção histórica. Ele está adquirindo um Bacharelado em Belas-Artes em Escrita Criativa na Full Sail University. Ele têm contos publicados na Adelaide Magazine e na Scarlet Leaf Review. Ele é um apaixonado por mitologia e pelo sobrenatural, e usa isso para aprimorar seu trabalho.

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