Osíris

            Osíris é um dos mais importantes deuses do panteão egípcio, com seu culto rivalizando até mesmo com o do Rá. Muito disso se dá pela sua relação com a vida após a morte, algo muito valorizado pelos antigos egípcios.

            Osíris é filho de Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu). E ele tem três irmãos: Ísis, Néftis e Set. Osíris se casa com sua irmã, Ísis, enquanto Set se casa com Néftis. No entanto, Osíris teve relações com sua irmã e cunhada, Néftis. Dessa relação nasce Anúbis.

A Profecia de Atum

Rá-Atum, deus do Sol e soberano dos deuses

            Logo após a formação do Universo e da Terra, Atum (ou Atom), um aspecto de Rá, foi coroado o primeiro faraó.  Atum como oceano primordial criou a si mesmo. Ele então cuspiu no vazio (ou se masturbou) dando origem a Shu (ar) e Tefnut (umidade), e estes deram origem a Geb e Nut.

            Durantes muitos anos ele governou o universo de maneira eficiente e próspera. Mas lhe foi dada uma terrível (para ele) profecia de que Nut daria à luz a uma criança que o destronaria. Atum a proibiu de fazê-lo, mas Nut o desobedeceu e deu à luz a quatro crianças. Uma delas, Osíris, cumpriu a profecia e destronou Atum, se tornando então o faraó.

A Morte de Osíris

Anúbis e o processo de embalsamento

            Set sempre teve muita inveja do irmão, por ele ocupar uma posição de tamanho poder e prestígio. O fato de Osíris ter tido um filho com sua esposa não ajudou muito. Então Set planejou a morte do irmão para tomar seu lugar.

            Set deu um banquete e chamou seu irmão como convidado de honra. Após comerem, Set mostrou a Osíris um sarcófago feito sob medida que ele estava lhe dando como presente. Osíris ficou radiante com o presente e estimulado pelo irmão correu para testar. Osíris retirou sua coroa e entrou no sarcófago. Set e seus ajudantes então trancaram Osíris dentro o sarcófago e o arremessaram no Nilo.

            Ísis então partiu em busca do sarcófago. Após muito tempo de busca ela o encontrou. Ela o escondeu no delta do Nilo para passar a noite, planejando arranjar uma maneira de trazê-lo a vida no dia seguinte. No entanto, Set o encontrou, e furioso esquartejou Osíris em 14 pedaços e os espalhou pelo Egito.

            Ísis e Néftis, com ajuda de Anúbis, buscam e reúnem as partes de Osíris. Durante toda a busca Ísis chorou muito, e assim surgiu a história de que o Nilo teria se originado de suas lagrimas. Eles encontram quase todas a partes, exceto uma, o pênis do deus. Ísis estão substituiu o famigerado por um pênis de ouro, e assim embalsamaram Osíris (ritual este muito respeitado e exercido pelos antigos egípcios, que visavam conservar o corpo de falecido para quando ele retornasse aos mundos dos vivos).

            Após isso, Ísis soprou vida para dentro do marido, o ressuscitando. Mas por estar faltando uma parte dele, ele não poderia permanecer entre os vivos, lhe sendo concedida uma última noite com sua esposa. Dessa fatídica noite, Osíris (com seu pênis de ouro) e Ísis tiveram seu primeiro e único filho, Hórus.

            No dia seguinte, Osíris foi levado por Ra ao Mundo Inferior, onde passou a ser seu soberano e juiz das almas. Todos que morrem deverão passar por seu julgamento que decidira o destino de sua alma na pós vida.

O Mundo Inferior Egípcio

O Mundo Inferior e o julgamento de Osíris

            O Mundo Inferior egípcio era muito interessante e também complexo, dada a importância da morte e da vida após a morte para os antigos egípcios. Nele eram encontrados 4 seres que comandavam essa pós vida: Osíris (governante do Mundo Inferior e juiz das almas), Anúbis (protetor/deus dos mortos e da morte), Maat (deusa da verdade e da justiça) e Ammut (devorador de almas).

            Após sua morte, a alma do falecido era guiada por Anúbis até a presença de Osíris no Mundo Inferior. O falecido então jurava diante do deus que não teria cometido algum dos 42 pecados (uma lista que ia de não cometer adultério até não blasfemar os deuses). Após isso, ele era levado diante de uma grande balança onde seu coração seria pesado contra a pena de Maat.

            Caso seu coração se equilibrasse com a pena, isso significaria que ele foi bom e puro enquanto vivo e merecia ser recompensado no Mundo Inferior. Diante disso, Anúbis e Osíris o guiariam para seu lugar na pós vida onde passaria a eternidade com tranquilidade. Ele se tornaria um “maakheru” (“vindicado,” “verdadeiro da voz”) como os antigos chamavam. Como seu morto estaria conservado pelo processo de embalsamento, ele poderia voltar ao mundo dos vivos quando chegasse a hora e ele o quisesse.

            No entanto, caso seu coração se mostrasse mais pesado que a pena, isso significaria que ele não foi bom em vida e que seu coração estaria corrompido. Portanto, ele deveria sofrer uma punição no Mundo Inferior. Nesse caso uma criatura parte leão, parte hipopótamo, e parte crocodilo, chamada Ammut devoraria a alma do falecido. Tal fato significava o fim definido da existência daquela alma, e ela jamais poderia retornar ao mundo dos vivos.


Imagens:

Fontes:

  • Bartlett, S. (2011). A Bíblia da Mitologia. São Paulo, SP: Editora Pensamento.
  • Daniels, M. (2019). A História da Mitologia Para Quem Tem Pressa. Rio de Janeiro, RJ: Valentina.

Alexandre Souza

Alexandre Souza é um escritor brasileiro que escreve historias sombrias e sobrenaturais, e também explora fantasia e ficção histórica. Ele está adquirindo um Bacharelado em Belas-Artes em Escrita Criativa na Full Sail University. Ele têm contos publicados na Adelaide Magazine e na Scarlet Leaf Review. Ele é um apaixonado por mitologia e pelo sobrenatural, e usa isso para aprimorar seu trabalho.

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